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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Festas de Fim de Ano

Uma das maiores vantagens de morar em um país estrangeiro é conhecer as tradições locais que fazem parte do dia a dia do povo de lá. Nossas experiências como Fulbrighters não são diferentes, já que durante os 9 meses que passamos nos EUA, temos a oportunidade de vivenciar diversos costumes americanos. Então, para iniciar o ano de 2017, decidi falar um pouquinho sobre as festas de fim de ano que tive a oportunidade de participar aqui no Hawaii.

Como vocês já sabem, o Hawaii, mesmo fazendo parte do território americano, é um aglomerado de ilhas no meio do oceano pacifico. Por causa de sua localização, o estado está mais perto da Ásia e da Oceania do que do próprio país ao qual pertence e isso tem grande influencia na cultura que permeia por aqui. Apesar dos costumes americanos estarem presentes no dia a dia Hawaiiano, a cultura asiática (de uma maneira bastante variada) e a própria cultura do povo do Hawaii prevalecem. Diante disso, as celebrações de fim de ano são bastante peculiares por aqui.

As festas de fim de ano, de um modo geral, iniciam nos EUA na terceira quinta-feira do mês de Novembro, quando acontece o Thanksgiving, ou o Dia de Ação de Graças. Há quem diga que esta é a maior celebração para os americanos pois carrega um importante significado de agradecimento pelas “graças” alcançadas. Em todo o país, famílias e amigos(as) se juntam para uma refeição regada a muita comida e alguns costumes tais como assistir a jogos de futebol americano na TV. O Thanksgiving do Hawaii foi um pouquinho diferente para mim. Ainda assim, o principal da festividade se concretizou: muita, muita comida! Saímos de casa (eu e meu marido que está aqui morando comigo) às 10 da manhã e seguimos até o apartamento de uma grande amiga (que a propósito também é brasileira mas já mora há muitos anos nos EUA) para participar de uma tradição americana chamada Potluck, ou o nosso básico “cada um traz uma coisinha”.  Chegando lá, encontramos vários(as) amigos(as) que fiz na universidade. Até ai, tudo meio parecido com o resto dos EUA, né? Só que não! Quase todo mundo que se reuniu na casa dessa minha amiga é de um país diferente e, conforme esperado, a maioria asiáticos. Foi uma misturinha básica de Brasil, EUA, Canadá, Japão, Filipinas, Tailândia e Coréia do Sul. Resultado? Comidas variadas para todos os gostos! Voltamos para casa as 16:00 da tarde para participar do segundo Thanksgiving do dia, com a família que moramos. Acontece que, apesar dessa família ser americana, a mãe tem descendência japonesa. Então, não apenas ela segue tradições americanas mas sempre inclui um pouquinho do Japão nas comemorações. Dai já viu, nossa janta teve peru assado com purê de batatas misturado com sushi e rolinho primavera, e por ai vai. Ah! E sem esquecer de mencionar o sushi hawaiiano, chamado de musubi, que junta arroz japonês com tender assado. Tudo uma delicia!





Chegando Dezembro, vem claro, o Natal <3. Uma das épocas mais encantadoras do ano nos EUA, especialmente para aqueles estados onde tem muita neve. Fica tudo branquinho, dá pra brincar de escorregar, fazer boneco de neve, ficar quentinho ao lado da lareira, tudo lindo e aconchegante demais. E claro, Papai Noel vem arrasando com seu uniforme vermelho (estilo Coca-Cola) trazer presentes que ficam embaixo da árvore de natal até a manhã do dia 25. Enquanto isso, no meio do pacifico... as coisas são um tantinho diferentes. Como na maior parte do Brasil, não tem neve no Hawaii (a não ser em montanhas mas dai nem conta, né?). Aqui, nem frio fica. Pra vocês terem uma ideia, estou escrevendo este texto em uma noite de inverno e a temperatura está 22 graus. Quase uma primavera! Diante disso, algumas mudanças básicas acontecem no natal Hawaiiano. Papai Noel usa um uniforme mais curto (ainda estilo Coca-Cola) e um colar Hawaiiano que chamam de Lei (aquele colar de flores que a gente sempre vê nos filmes). As casas são quase todas decoradas com luzes e enfeites, como a gente vê com frequência no Brasil. O interessante é que os enfeites fora das casas não são tão comuns nos estados mais frios dos EUA porque a neve não permite muita coisa. O pessoal daqui, por não nevar, abusa nos pisca-pisca e nos bonecos infláveis de natal. E, nada de Merry Christmas! Feliz Natal em Hawaiiano é Meli Kalikimaka. Aqui em casa, as celebrações natalinas iniciaram duas semanas antes do Natal. Começou com a mãe da família enfeitando a casa com o pinheirinho e várias meias de natal na parede. Várias porque ela, muito querida, fez uma meia para cada morador da casa (até pra gente!). A tradição é que o Papai Noel coloca pequenos presentinhos na meia, se você se comportar durante o ano, claro. Se não se comportar, ganha carvão!!! (o que será que apareceu na meia do Temer e do Trump...). Ainda na mesma semana, fomos visitar a base aeronaval de Pearl Harbor. Lá moram vários comandantes e suas famílias e, todo ano, eles abrem suas casas super enfeitadas para visitação. Lindeza que só! Já a noite do 24 foi bem tranquila, sem muitas comemorações. Isso porque, diferente do Brasil, o costume por aqui é comemorar o 25. Assim, na manhã de natal abrimos os presentes (tinha até pra nós <3), tomamos chocolate quente com marshmellows e no almoço teve peru assado com purê de batatas e salada. Yummy!




Finalmente, terminando o mês de Dezembro, celebramos o fim de ano! A maioria das festas americanas de fim de ano acontecem em bares e baladas, sempre regadas a muito champanhe e fogos. Basicamente o que já vemos pelo Brasil, certo? Bem, não por aqui. O fim de ano Hawaiiano carrega significado importantíssimo de renovação do espirito de Aloha. Além de lindos luais e fogos de artificio, há também muita música e rituais de agradecimentos. No nosso caso, passamos o fim do ano com a família com quem moramos. Por causa da descendência japonesa da mãe da família, nossas celebrações tiveram a cara do Japão. O ano novo japonês é celebrado no almoço do dia 01 de Janeiro e não no jantar do 31 de Dezembro. Porém, como algumas pessoas da família só podiam se reunir no 31, fizemos a festinha neste dia mesmo. Decoramos a casa com desenhos e enfeites japonês que simbolizam sorte e prosperidade. Fizemos comidas japonesas como sushi (eu aprendi a fazer!!!!), sashimi, Ozoni (que é uma sopa feita com uma farinha especial de arroz chamada de mochi) e tantas outras que não consegui gravar o nome. Uma das curiosidades é a tradição do feijão. Cozinha-se feijão preto até secar a água e, durante o almoço, deve-se pegar a quantidade de grãos correspondente a sua idade, mais um, e comer para dar sorte.





Bem, essas são as tradições de fim de ano que vivenciamos aqui no Hawaii. O mais interessante é perceber que cada família tem seus próprios costumes, então, viver em outro país é uma chance de conhecer um pouquinho mais sobre a variedade cultural desse lugar. Tenho certeza que meus colegas Fulbrighters tem diferentes histórias para contar e essa é a maior riqueza de um intercâmbio como esse: a troca e a diversidade cultural. Para não perder o costume, desejo a todos um feliz ano novo, ou em bom Hawaiiano, Hau’oli Makahiki Hou!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Alguns comentários sobre um primeiro mês nos Estados Unidos

O tempo passa rápido mesmo, e já que o edital para o Doutorado Sanduíche ainda está aberto para os candidatos 2017-18, achei interessante dividir alguns pontos importantes a serem levados em consideração por eventuais candidatos.

1 - O campus vai ser bonito! Sim, há grande probabilidade de o teu campus ser bonito. E o teu prédio também. O meu:

E me deram uma sala boa pra estudar e trabalhar em paz 
2 - Se tu acabares em uma cidade pequena/média como eu, que estou em Athens, Georgia, vai ter esses capitols tradicionais, com um jardinzinho florido e tal.

Athens City Hall
 3 - Mas antes de ir direto pra tua cidade, provavelmente a Fulbright vai te convidar para um Gateway, que é uma sessão de orientação em uma outra cidade, em outro estado longínquo. Aceita e vai, porque vai valer a pena: vai ter gente de todo o mundo, gente divertida e os lugares costumam ser bonitos e, de alguma forma, vibrantes (geralmente há esforço para que seja um lugar interessante mesmo!). É incrível! Experiência de vida mesmo!

E também já vai te ajudar a falar dos assuntos preferidos dos americanos: política e insetos. Estamos em ano de eleição (uma campanha super complicada), e quem aportar por aqui em 2017 vai pegar o resultado, então te prepara para ouvir e falar bastante sobre vários tópicos correntes na política dos EUA. Os insetos? Me surpreende que é o small talk preferido dos americanos, aparentemente. É legal pra quem chegar aqui que saiba tudo sobre a fauna de bichos de sua região no Brasil, e que saiba que vai chegar em outra região dos EUA e vai ter bugs gigantes, ou não vai ter bugs, ou enfim. É isso, insetos são importantes.

O meu Gateway foi em Reno, Nevada.
Na foto: os milhões de Fulbrighters e o Lake Tahoe

4 - É isso, agora tu chegou na tua cidade. Hora de se instalar.

"Nos EUA é tudo barato", "compra lá fora!", "vai ter uma pessoa na rua fantasiada de maçã te dando celular de graça", "o motorista de ônibus vai te pagar pra tu ir de LA a NY de ônibus, e vai te servir panquecas com champagne na viagem". Com certeza tu já ouviu tudo isso, e bom, é mentira. O custo de serviços como internet, transporte, luz, água são parecidos com os do Brasil.

Talvez as mercadorias sejam realmente um pouco mais baratas do que na América do Sul, mas não cai nessas de que tudo é baratíssimo por aqui. Convém pesquisar antes e comparar preços para coisas que realmente valem a pena (como computadores, instrumentos/equipamentos musicais, etc.).

Enfim, daí tu precisa te arranjar na vida e ir atrás dos compráveis. E o que segue é este grande patrimônio cultural dos EUA (consideraria ser tombado pela UNESCO, não sei como ainda não fizeram isso): o estacionamentão.

American beauty

5 - E por fim, algo muito importante. Sou um pedestre, e o dicionário já nos mostra muito bem o que os americanos pensam de nós.

Sim, é a número 4
Por isso, caso tu não tenha carro, não queira ter carro (olha a propaganda de carro ali na entrada do pedestrian no dicionário, hein?), olha bem onde morar! Acesso a frutas e verduras nos EUA é bem mais restrito em geral do que no Brasil. Os americanos inclusive tendem a ser apaixonados por suas redes de supermercado favoritas. Então atenção com isso! E também com o transporte público, que em muitas cidades é praticamente inexistente.


É isso, que venham os outros 9 meses! 

Por: Lauro Iglesias Quadrado

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Longe de casa (em uma nova casa)!

Ravenna - Seattle, WA
Ser um Fulbrighter é abrir mão, por um período de tempo, do contato físico com a família e amigos. Sou muito apegada à minha família e amigos. Confesso que antes dessa aventura começar eu não sabia exatamente como seria ficar longe de todos eles de uma só vez. Ainda estou vivenciando essa sensação. Mas, hoje refleti um pouco sobre isso.

Tenho superado de forma bem mais tranquila do que imaginava, acho que hoje foi o dia em que a ficha caiu. Não estou passando apenas alguns dias em Seattle, WA e logo voltarei para casa. Não! Serão 10 meses longe de casa. Bem, relativamente longe de casa, pois, aqui também estabeleci um lar e o ciclo está começando novamente: nova casa, novos amigos, vizinhaos, universidade, tudo novo. Sentia muito receio de que esse novo se tornasse velho muito rápido e logo batesse aquela saudade do Brasil. A saudade já veio e virá muitas vezes, mas, acho que quando esse novo se tornar velho terei a mesma sensação de deixar algo para traz, novamente, porque estará na hora de voltar.

Por isso, fiquei pensando no quão privilegiados somos por termos tecnologias de informação e comunicação tão avançadas. Nós, os 25 Fulbrighters espalhados pelo Brasil e agora pelos Estados Unidos, comunicamo-nos diariamente para esclarecer dúvidas, contar histórias, compartilhar experiências, fotos, rir, etc. Da mesma forma, tenho me comunicado todos os dias com minha família e amigos (skype, whats app, facebook, facetime, etc) e, ainda que pela internet, a sensação é de que estamos muito perto. Como é que as pessoas viviam longe de casa apenas com telefone e pagando tarifas altíssimas (rsrsrs)?

Tudo isso mostra que precisamos aproveitar cada segundo dessa experiência única que nos foi proporcionada, mais do que isso, que nos foi confiada. Buscamos conhecimento e experiência cultural para compartilhar com os nossos quando voltarmos para o lugar que chamamos de casa. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Fight the Jet Lag

Fight the jet lag. Ou, em bom português, lutar contra os efeitos do fuso horário. Um dos primeiros desafios de qualquer brasileiro que decide viajar para fora, especialmente àqueles que seguem beeeem pro oeste ou beeeeem pro leste do meridiano. Esse é o meu caso. Há dois dias atrás, desembarquei na cidade de Honolulu, no estado do Hawaii: o destino de férias de pessoas do mundo inteiro que, já estaria sendo para mim um paraíso, não fosse sua localização há 12935 Km de Florianópolis (onde moro no Brasil). No relógio, essa distância toda se traduz em 7 horas de atraso. Isso mesmo. A noite brasileira é a minha tarde. Quando é manhã no Brasil, é madrugada por aqui. Uma hora da tarde em Floripa são 6 da manhã para mim. E por ai vai. Resultado: primeiro dia no Hawaii, não tive forças para lutar contra os efeitos do fuso horário (após 26 horas em trânsito) e dormi às 8 da noite. Acordei, faceira que só, às 3 da manhã daqui (10 da manhã em Floripa). Ouvi falar que aos poucos o corpo se acostuma e a rotina estrangeira toma conta do sono. Espero que logo. Enquanto isso, aproveito o silêncio da casa e escrevo posts e emails numa manhã quente de verão em Honolulu. Escrito por Priscila Fabiane Farias - Fulbrighter 2016 em Honolulu Hawaii

domingo, 28 de agosto de 2016

Como tudo começou...

Pre-Departure Orientation

Um novo edital foi aberto no segundo semestre de 2015 do Programa CAPES/Fulbright - 2016 para estudantes, professores e pesquisadores, com o intuito de conceder bolsas de estudo do Programa de Estágio de Doutorando nas Ciências Humanas, Ciências Sociais, Letras e Artes nos Estados Unidos.

Doutorandos de diferentes partes do Brasil se inscreveram para concorrer a uma das bolsas. Entre eles, fomos os selecionados e, desde a divulgação do resultado, nossa vida gira em torno de organizar tudo para realizarmos o sonho de todo pesquisador: desenvolver parte da sua pesquisa em uma universidade estrangeira com um pesquisador (supervisor) que admiramos.

Espalhados da costa leste à costa oeste, conheceremos novos lugares, ampliaremos nossa rede de relações, teremos experiências que não imaginávamos ter, realizaremos sonhos. Mais do que isso, representaremos nosso país e buscaremos conhecimentos que potencialização nossas pesquisas e nossa formação como pesquisadores e pessoas.

Com essa expectativa nos reunimos para registrar cada momento neste blog e compartilhar com aqueles que assim como nós se permitem sonhar e correm atrás de seus sonhos.

Fulwriters, foi dada a largada!