sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Community service in the US: among the greatest experiences of my stay


Community service has been one of the greatest experiences of my stay in the US. UC San Diego has tradition in community involvement: an office is in place to connect those eager to serve the community and institutions in need of help. Throughout the year, it promotes different activities to integrate the university with the San Diegan community. So far, I had the opportunity to join as a volunteer in two occasions: working on behalf of the Oneanta Elementary School and of the San Diego Food Bank.
Last January 16 the US celebrated the Martin Luther King Jr Day. A holiday observed in memory of a leader of the civil rights movement, it is celebrated in many parts of the country as a Day of Service: people get involved in different activities to help their communities. At UC San Diego, volunteers were called to work on behalf of the Oneonta Elementary School. The school is located in Imperial Beach and has 563 students; 80% of them receive their meals free or with reduced cost (a measure to allow that all students eat properly even when their families cannot afford the full costs of meals). Teachers and students of the school joined the UC San Diego crowd in the service.

Several activities were developed by the volunteers: gardening; wall painting; fixing sports facilities; fixing the fence around the school; organizing books in the school library; organizing school files; fixing computer malfunctions. Volunteers were randomly divided in groups for each task and the school crowd oversaw the works, making sure that all was done right.

On February 11 it was time to help the San Diego Food Bank. It is the largest hunger relief organization in the San Diego county. The bank collects donations from all over the county and distributes them to those in need, sometimes through the help of other institutions. It receives hundreds of tons of food every month and delivers them to more than 200 thousand people. The staff is small, so volunteers are needed to help sorting all the items and packing them in the boxes that will go to the beneficiaries.

Taking part in community service has been great. It is an opportunity to meet UC San Diego members that I would not meet on a daily basis: students and Faculty from other departments, staff and their families. It is nice to see professors, students, staff and their families working side-by-side to help other people. It is so interesting to meet people from so many nationalities and backgrounds and learn more about each other. And the greatest lesson is that although we come from different parts of the world, we are all willing to work to make it better.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Washington State Capitol Tour

Washington Capitol
As Fulbright Visiting Students, we have the important responsibility of representing our country, sharing our beliefs and culture, and seeking mutual understanding. I am a PhD Student at Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (UNESP) in Brazil and I am a Visiting Student at the University of Washington on a Fulbright/ CAPES Scholarship. Last Monday, Martin Luther King Day, the Fulbright Association Greater Puget Sound Chapter organized an event. Fulbright Alumni and Visiting Fulbright Students went to Olympia, WA for a one-day trip and guided tour of the Washington State Capitol building. Robert Schafer, docent at the Capitol and member of the Fulbright Greater Puget Sound Chapter Board, was our guide. 

Matt Manweller
We started the tour visiting some of the main rooms of the Capitol: State Reception Room, Senate Chamber, House Chamber. Robert Schafer shared interesting information and stories about the Capitol with us. After the tour, we met Matt Manweller, current Representative of the 13th Legislative District – Ellensburg and member of the Republican Party. He has a seat in both the Labor & Workplace Standards and Technology and Economic Development committees. He talked about his responsibilities and about recent rally at the capitol, in which teachers demanded better school funding from lawmakers and equitable education for all.


The Governor's Director of International Relations Schuyler Hoss gave us a clarifying view of the relations between the Washington State and states from other countries. He explained that the Washington State has the supported of the Federal Government until now, but they have some concerns about the new scenario after the presidential inauguration. It was also the opportunity to advocate the Fulbright Program and its impact for international relations. Lastly, Supreme Court Justice Susan Owens met us at the State’s Supreme Court Room, where she explained how they choose the cases and what is the role of Supreme Court; she also shared some information about her routine. 
Supreme Court Room
As Fulbrighters, we always hear that our most important role is to be ambassadors of our home countries and that this is a challenging responsibility. In the occasion, we learned more about the organization of the Washington State and met other students and alumni from different countries. It was a great opportunity to share our thoughts, research topics and stories during the activity organized by the Fulbright Association Great Puget Sound Chapter board.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Viajando em boa companhia



A diversidade é, de fato, uma característica do grupo de Fulbrighters que está em doutorado sanduíche neste momento. Embora todos sejamos pesquisadores das Humanidades, pertencemos a cursos e universidades variados no Brasil, nossos temas de investigação são diversificados e estamos espalhados por diferentes cidades e instituições nos Estados Unidos. A logística a partir da qual cada um organizou seu intercâmbio também foi muito particular: alguns preferiram residir sozinhos, outros optaram por moradias compartilhadas; alguns viajaram sós, outros acompanhados.

Eu me mudei para Nova York não só com meu marido, mas com nossos dois gatos de apartamento: o Pacífico, que já está conosco há três anos e sempre esteve nos planos de nos acompanhar e o Ventania, nossa bagagem extra (rs), já que o resgatamos da rua com sessenta dias de vida, semimorto, poucos meses antes de embarcarmos – agora ele vai muito bem, obrigada :) Neste post, eu gostaria de falar sobre essa experiência de viajar em boa companhia, na forma de algumas dicas para outros que no futuro venham a vivenciar situações parecidas.

A primeira boa notícia é que, uma vez aprovado no edital de doutorado sanduíche, todo bolsista que planeje viajar com dependentes vai receber suporte integral da Fulbright tanto para providenciar, quanto para custear o visto de esposos e/ou filhos. Mas há dois pré-requisitos. Primeiro, é preciso que seu companheiro seja também seu cônjuge – sim, uso essa palavra sisuda para dizer que é imprescindível ser oficialmente casado. Segundo, será necessária uma prova financeira, conforme montante indicado pela Fulbright, de que seus dependentes terão recursos de apoio durante o período nos Estados Unidos. Para isso, o casal pode apresentar extratos bancários de economias próprias ou de terceiros.

Quanto a viajar com animais, bem, as despesas são por tua conta! Mas há algo muito valioso que a network da Fulbright pode oferecer: antes da minha partida, a Comissão no Brasil me ofertou o contato virtual de outros bolsistas, de editais variados, que já tinham ido ou estavam indo com seus pets para os Estados Unidos. Pudemos compartilhar informações e também dividir nossas ansiedades sobre embarcar com os bichanos. Quando você anuncia que pretende morar no exterior temporariamente com seus animais, esteja certo de que vai ouvir muitas opiniões e diversas delas serão coerentes, tanto a favor, quanto contra. Minha opinião é que se trata de uma decisão muito pessoal que, sobretudo, deve ser muito responsável em relação ao bem-estar dos bichinhos.

Pois bem, no caso de viagem com marido ou esposa, considere em seu checklist que:

1. Seu cônjuge vai precisar de um seguro saúde. Embora ninguém seja obrigado ter um para entrar nos Estados Unidos, o bolsista vai se comprometer a providenciar isso para os dependentes ao assinar o termo de compromisso com a Fulbright, tendo em vista que o sistema de saúde norte-americano é completamente privado e você pode acabar literalmente na rua da amargura se ficar doente sem seguro;
2. Seu cônjuge terá um tipo de visto que o permite trabalhar nos Estados Unidos, mas é possível solicitar a permissão somente depois do ingresso no país e é necessário aguardar por até 90 dias pela chegada. Todas as informações sobre isso estão no site do U.S. Citizenship and Immigration Services;
3. Seu cônjuge pode estudar inglês, enquanto você está enlouquecido entre aulas, livros mil, seminários, refreshments, entre outras coisinhas. A rede de bibliotecas da cidade de Nova York, por exemplo, oferece gratuitamente cursos intensivos de inglês para estrangeiros;
4. Seu cônjuge pode te acompanhar em eventos na sua universidade, já que diversos deles são abertos ao público;
5. Não esqueçam de levar a certidão de casamento original. Embora, em tese, nossos documentos brasileiros não tenham validade nos Estados Unidos, eu e meu marido precisamos de nossa certidão, por exemplo, para requisitar nossos ID Cards na cidade de Nova York.

No caso de viagem com pets, de modo especial com gatos, tenha em mente que:

1. Os Estados Unidos estão entre os países com menos exigências para o ingresso com animais domésticos. Todos os requisitos você encontra nos sites do Ministério da Agricultura do Brasil e do U.S. Department of Agriculture;
2. Cada companhia aérea tem suas próprias normas para o trânsito de pets. Algumas permitem a viagem na cabine, outras apenas no porão. Nesse segundo caso, fique calmo: os animais não vão balançando no escuro com as malas! Eles têm um compartimento especial, adequadamente oxigenado e iluminado – você paga por isso. Se seu aéreo incluir mais de uma companhia, lembre-se de que imperam sempre as regras mais restritivas, para não haver nenhum impedimento durante o trajeto;
3. Levar com você seus bichanos significa ter mais trabalho na busca por moradia. Nem todos os locais aceitam pets e nem todos têm um tamanho adequado para a vida cotidiana deles. Ou seja, não dá pra ser algo nem muito pequeno, mas também nem muito grande, porque o preço pode ir lá em cima a depender da cidade. No caso de gatos, preste atenção se há janelas disponíveis – não para eles saírem, mas pra apreciarem uma vista! Também é importante “catificar” o ambiente, por exemplo, com caixas de papelão para eles satisfazerem a vontade irresistível de arranhar e não gerarem avarias no imóvel;
4. É bastante recomendável que os animais sejam castrados. Um mês antes ao menos, você deve administrar as vacinas e os antiparasitários. E nos dez dias que antecedem a viagem, é necessário um exame clínico para o veterinário emitir um atestado de saúde, com o qual você irá conseguir o certificado internacional de viagem. Importante lembrar que, no retorno ao Brasil, é preciso efetuar o mesmo procedimento para reingresso no país;
5. Uma vez nos Estados Unidos, paciência, atenção e carinho são ingredientes essenciais para ajudar na adaptação dos bichinhos. Eles estranham um pouco a casa nova, as mudanças na rotina, a comida diferente, mas em pouco tempo tudo se acomoda. A grande notícia é que os Estados Unidos têm um mercado fabuloso para pets, então não faltarão opções de rações, sachês, snacks e brinquedinhos.

Se vale a pena todo esse empenho? O para sempre saudoso Ferreira Gullar tem um poema chamado “O ronron do gatinho”. Como explica o poeta, o ronron é o barulhinho emitido por um motorzinho que os gatos têm. Não é um motor elétrico, é um motor afetivo, com o qual esses animais expressam amor e gratidão. É uma das sintonias sonoras mais incríveis que existem. E é assim, cercada de aconchego dos meus gatinhos e também do meu marido, é claro, que eu recarrego as energias para a vida de todo dia por aqui.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Festas de Fim de Ano

Uma das maiores vantagens de morar em um país estrangeiro é conhecer as tradições locais que fazem parte do dia a dia do povo de lá. Nossas experiências como Fulbrighters não são diferentes, já que durante os 9 meses que passamos nos EUA, temos a oportunidade de vivenciar diversos costumes americanos. Então, para iniciar o ano de 2017, decidi falar um pouquinho sobre as festas de fim de ano que tive a oportunidade de participar aqui no Hawaii.

Como vocês já sabem, o Hawaii, mesmo fazendo parte do território americano, é um aglomerado de ilhas no meio do oceano pacifico. Por causa de sua localização, o estado está mais perto da Ásia e da Oceania do que do próprio país ao qual pertence e isso tem grande influencia na cultura que permeia por aqui. Apesar dos costumes americanos estarem presentes no dia a dia Hawaiiano, a cultura asiática (de uma maneira bastante variada) e a própria cultura do povo do Hawaii prevalecem. Diante disso, as celebrações de fim de ano são bastante peculiares por aqui.

As festas de fim de ano, de um modo geral, iniciam nos EUA na terceira quinta-feira do mês de Novembro, quando acontece o Thanksgiving, ou o Dia de Ação de Graças. Há quem diga que esta é a maior celebração para os americanos pois carrega um importante significado de agradecimento pelas “graças” alcançadas. Em todo o país, famílias e amigos(as) se juntam para uma refeição regada a muita comida e alguns costumes tais como assistir a jogos de futebol americano na TV. O Thanksgiving do Hawaii foi um pouquinho diferente para mim. Ainda assim, o principal da festividade se concretizou: muita, muita comida! Saímos de casa (eu e meu marido que está aqui morando comigo) às 10 da manhã e seguimos até o apartamento de uma grande amiga (que a propósito também é brasileira mas já mora há muitos anos nos EUA) para participar de uma tradição americana chamada Potluck, ou o nosso básico “cada um traz uma coisinha”.  Chegando lá, encontramos vários(as) amigos(as) que fiz na universidade. Até ai, tudo meio parecido com o resto dos EUA, né? Só que não! Quase todo mundo que se reuniu na casa dessa minha amiga é de um país diferente e, conforme esperado, a maioria asiáticos. Foi uma misturinha básica de Brasil, EUA, Canadá, Japão, Filipinas, Tailândia e Coréia do Sul. Resultado? Comidas variadas para todos os gostos! Voltamos para casa as 16:00 da tarde para participar do segundo Thanksgiving do dia, com a família que moramos. Acontece que, apesar dessa família ser americana, a mãe tem descendência japonesa. Então, não apenas ela segue tradições americanas mas sempre inclui um pouquinho do Japão nas comemorações. Dai já viu, nossa janta teve peru assado com purê de batatas misturado com sushi e rolinho primavera, e por ai vai. Ah! E sem esquecer de mencionar o sushi hawaiiano, chamado de musubi, que junta arroz japonês com tender assado. Tudo uma delicia!





Chegando Dezembro, vem claro, o Natal <3. Uma das épocas mais encantadoras do ano nos EUA, especialmente para aqueles estados onde tem muita neve. Fica tudo branquinho, dá pra brincar de escorregar, fazer boneco de neve, ficar quentinho ao lado da lareira, tudo lindo e aconchegante demais. E claro, Papai Noel vem arrasando com seu uniforme vermelho (estilo Coca-Cola) trazer presentes que ficam embaixo da árvore de natal até a manhã do dia 25. Enquanto isso, no meio do pacifico... as coisas são um tantinho diferentes. Como na maior parte do Brasil, não tem neve no Hawaii (a não ser em montanhas mas dai nem conta, né?). Aqui, nem frio fica. Pra vocês terem uma ideia, estou escrevendo este texto em uma noite de inverno e a temperatura está 22 graus. Quase uma primavera! Diante disso, algumas mudanças básicas acontecem no natal Hawaiiano. Papai Noel usa um uniforme mais curto (ainda estilo Coca-Cola) e um colar Hawaiiano que chamam de Lei (aquele colar de flores que a gente sempre vê nos filmes). As casas são quase todas decoradas com luzes e enfeites, como a gente vê com frequência no Brasil. O interessante é que os enfeites fora das casas não são tão comuns nos estados mais frios dos EUA porque a neve não permite muita coisa. O pessoal daqui, por não nevar, abusa nos pisca-pisca e nos bonecos infláveis de natal. E, nada de Merry Christmas! Feliz Natal em Hawaiiano é Meli Kalikimaka. Aqui em casa, as celebrações natalinas iniciaram duas semanas antes do Natal. Começou com a mãe da família enfeitando a casa com o pinheirinho e várias meias de natal na parede. Várias porque ela, muito querida, fez uma meia para cada morador da casa (até pra gente!). A tradição é que o Papai Noel coloca pequenos presentinhos na meia, se você se comportar durante o ano, claro. Se não se comportar, ganha carvão!!! (o que será que apareceu na meia do Temer e do Trump...). Ainda na mesma semana, fomos visitar a base aeronaval de Pearl Harbor. Lá moram vários comandantes e suas famílias e, todo ano, eles abrem suas casas super enfeitadas para visitação. Lindeza que só! Já a noite do 24 foi bem tranquila, sem muitas comemorações. Isso porque, diferente do Brasil, o costume por aqui é comemorar o 25. Assim, na manhã de natal abrimos os presentes (tinha até pra nós <3), tomamos chocolate quente com marshmellows e no almoço teve peru assado com purê de batatas e salada. Yummy!




Finalmente, terminando o mês de Dezembro, celebramos o fim de ano! A maioria das festas americanas de fim de ano acontecem em bares e baladas, sempre regadas a muito champanhe e fogos. Basicamente o que já vemos pelo Brasil, certo? Bem, não por aqui. O fim de ano Hawaiiano carrega significado importantíssimo de renovação do espirito de Aloha. Além de lindos luais e fogos de artificio, há também muita música e rituais de agradecimentos. No nosso caso, passamos o fim do ano com a família com quem moramos. Por causa da descendência japonesa da mãe da família, nossas celebrações tiveram a cara do Japão. O ano novo japonês é celebrado no almoço do dia 01 de Janeiro e não no jantar do 31 de Dezembro. Porém, como algumas pessoas da família só podiam se reunir no 31, fizemos a festinha neste dia mesmo. Decoramos a casa com desenhos e enfeites japonês que simbolizam sorte e prosperidade. Fizemos comidas japonesas como sushi (eu aprendi a fazer!!!!), sashimi, Ozoni (que é uma sopa feita com uma farinha especial de arroz chamada de mochi) e tantas outras que não consegui gravar o nome. Uma das curiosidades é a tradição do feijão. Cozinha-se feijão preto até secar a água e, durante o almoço, deve-se pegar a quantidade de grãos correspondente a sua idade, mais um, e comer para dar sorte.





Bem, essas são as tradições de fim de ano que vivenciamos aqui no Hawaii. O mais interessante é perceber que cada família tem seus próprios costumes, então, viver em outro país é uma chance de conhecer um pouquinho mais sobre a variedade cultural desse lugar. Tenho certeza que meus colegas Fulbrighters tem diferentes histórias para contar e essa é a maior riqueza de um intercâmbio como esse: a troca e a diversidade cultural. Para não perder o costume, desejo a todos um feliz ano novo, ou em bom Hawaiiano, Hau’oli Makahiki Hou!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A escolha da universidade e do/a advisor nos EUA


A decisão de tentar o doutorado sanduíche é sempre cheia de expectativas. Por experiência própria e relatos de colegas, percebo que estão sempre presentes os objetivos de ampliar os horizontes da pesquisa em que estamos imersos e de ter acesso a recursos que talvez tenhamos dificuldades de obter no Brasil, como laboratórios e bibliotecas mais completas. A vivência da pesquisa no exterior pode ser, de fato, muito enriquecedora; mas, para isso, é importante refletir sobre a escolha da universidade de destino.

A variedade de centros de pesquisa nos EUA é grande. Universidades, por definição, oferecem graduação e pós-graduação; se o foco é apenas graduação, é um college. Entre as universidades, há as mundialmente conhecidas, tanto por sua excelência acadêmica e pela alta tuition cobrada dos alunos (inclusive de bolsistas sanduíche). Muitos estados, como a California, têm sistemas estaduais de universidades, financiadas por uma mistura de fundos privados e públicos (e nesse caso você, como pesquisador visitante, pode conseguir isenção da tuition). Dentro das universidades, é muito comum encontrar diferentes centros de pesquisa dedicados a temáticas mais específica, e eles podem estar em um departamento (por exemplo, um centro para direitos humanos dentro da faculdade de direito) ou ser interdisciplinares. Esses centros podem inclusive ter financiamento próprio, conseguido a partir de grants ou doações. Nas áreas de tecnologia, são comuns as parcerias entre universidade e empresas.

Diante de tanta variedade, como decidir para onde ir? Eu sugiro focar em duas variáveis: presença de centros de pesquisa focados no tema de sua pesquisa e perfil do/a potencial advisor americano/a.

Se você encontrar um centro de pesquisa em que seu tema é trabalhado, a chance de encontrar uma biblioteca mais focada e atualizada é grande. Além disso, você terá possibilidade de estabelecer diálogo com outros pesquisadores envolvidos com a mesma temática, e de participar de eventos, como palestras e seminários (corriqueiros ao longo do ano acadêmico americano), relacionados com sua pesquisa. Nesses centros aumenta sua chance de encontrar seu/sua potencial advisor americano/a, a pessoa que estará interessada em o/a receber nos EUA e dará apoio acadêmico durante toda a sua estada.

Não há método padrão para conseguir um/a potencial advisor. Há colegas que fizeram o primeiro contato por meio do/a orientador/a no Brasil, que já conhecia o/a professor/a americano/a. Outros enviaram uma mensagem direta demonstrando interesse na pesquisa desenvolvida e foram aceitos. Outra opção é aproveitar conferências ou congressos para se aproximar e comentar seu interesse. Em geral você recebe uma resposta rápida e direta sobre a possibilidade de ser recebido/a. E quanto antes começar a estabelecer o contato, melhor, tanto para ter tempo para trabalhar no projeto a ser desenvolvido durante sua estada nos EUA como para ter tempo de contatar uma outra pessoa, caso a primeira não o/a possa receber.

Por fim, se você puder contatar outro/as doutorando/as que trabalham no centro de pesquisa de seu interesse e/ou com seu/sua potencial advisor, contate! É uma excelente estratégia para obter informações mais precisas sobre seu futuro ambiente de trabalho.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Sobre retornar, para um Brasil diferente

O grupo de Fulbrighters que está agora nos Estados Unidos sem dúvida assiste de perto a um momento peculiar da história norte-americana com a eleição de Donald Trump à presidência. Em Nova York, minha cidade de residência, historicamente democrata, o clima era de consternação e revolta após o resultado.

Um dia depois do anúncio da vitória de Trump, eu fui a um workshop sobre ações de equidade racial e justiça social no Queens College, que é um dos campi da City University of New York (CUNY), onde estou alocada como pesquisadora visitante. A ministrante, Dra. Caty L. Royal – mulher, negra e acadêmica – não pôde começar o workshop sem falar sobre a eleição, assunto que estava na boca de todos presentes.

Então ela disse algo assim: “Esta não é a primeira vez que esse país será dirigido por conservadores. Na verdade, isso ocorreu em grande parte da nossa história. Por isso hoje eu não vou chorar. Eu vou levantar a cabeça e continuar pensando, atuando e incomodando”.

Depois, completou, mais ou menos assim: “Vocês acham que porque eu sou doutora tudo mudou? Há pouco tempo eu entrei num prédio e quando eu fui me anunciar na recepção me mandaram para a cozinha. Mas eu não desisto de lutar, eu sigo em frente”. E assim esta brava mulher foi merecidamente aplaudida por jovens das mais diferentes origens étnicas e sociais, grande parte deles com lágrimas se equilibrando nos olhos.

Enquanto Dra. Caty falava, eu refletia sobre os Estados Unidos, mas especialmente pensava no meu próprio país. Eu deixei o Brasil exatamente no dia em que o impeachment da presidente Dilma Roussef se concretizou. E quem achou que seria apenas uma troca de governo não poderia estar mais enganado. Independentemente de posições políticas, muita coisa mudou e ainda vai mudar para todos nós.

Todo Fulbrighter precisa pensar na volta, afinal, a gente vive essa experiência de intercâmbio acadêmico já com data certa para retornar. Mas talvez para o grupo que está aqui neste momento refletir sobre isso seja algo mais recheado de tensões.

Ontem recebemos a notícia de uma profundamente triste tragédia aérea que ceifou a vida de esportistas e jornalistas. Enquanto o país vivenciava esse luto, na calada da noite, nossos políticos estavam trabalhando, porém, não para nós, mas sim contra nós. Manifestações populares tomam as escolas, as universidades e as ruas e são não só reprimidas com violência, mas sobretudo ignoradas em seu valor constitucional.

Meu marido outro dia me relembrou de uma frase: “Libertei mil escravos. Podia ter libertado outros mil se eles soubessem que eram escravos”. A fala é atribuída à abolicionista norte-americana Harriet Tubman. Com essa frase ecoando em minha mente, sigo hoje entristecida, entretanto, atuando, pensando e, sobretudo, esperando incomodar bastante.