quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A escolha da universidade e do/a advisor nos EUA


A decisão de tentar o doutorado sanduíche é sempre cheia de expectativas. Por experiência própria e relatos de colegas, percebo que estão sempre presentes os objetivos de ampliar os horizontes da pesquisa em que estamos imersos e de ter acesso a recursos que talvez tenhamos dificuldades de obter no Brasil, como laboratórios e bibliotecas mais completas. A vivência da pesquisa no exterior pode ser, de fato, muito enriquecedora; mas, para isso, é importante refletir sobre a escolha da universidade de destino.

A variedade de centros de pesquisa nos EUA é grande. Universidades, por definição, oferecem graduação e pós-graduação; se o foco é apenas graduação, é um college. Entre as universidades, há as mundialmente conhecidas, tanto por sua excelência acadêmica e pela alta tuition cobrada dos alunos (inclusive de bolsistas sanduíche). Muitos estados, como a California, têm sistemas estaduais de universidades, financiadas por uma mistura de fundos privados e públicos (e nesse caso você, como pesquisador visitante, pode conseguir isenção da tuition). Dentro das universidades, é muito comum encontrar diferentes centros de pesquisa dedicados a temáticas mais específica, e eles podem estar em um departamento (por exemplo, um centro para direitos humanos dentro da faculdade de direito) ou ser interdisciplinares. Esses centros podem inclusive ter financiamento próprio, conseguido a partir de grants ou doações. Nas áreas de tecnologia, são comuns as parcerias entre universidade e empresas.

Diante de tanta variedade, como decidir para onde ir? Eu sugiro focar em duas variáveis: presença de centros de pesquisa focados no tema de sua pesquisa e perfil do/a potencial advisor americano/a.

Se você encontrar um centro de pesquisa em que seu tema é trabalhado, a chance de encontrar uma biblioteca mais focada e atualizada é grande. Além disso, você terá possibilidade de estabelecer diálogo com outros pesquisadores envolvidos com a mesma temática, e de participar de eventos, como palestras e seminários (corriqueiros ao longo do ano acadêmico americano), relacionados com sua pesquisa. Nesses centros aumenta sua chance de encontrar seu/sua potencial advisor americano/a, a pessoa que estará interessada em o/a receber nos EUA e dará apoio acadêmico durante toda a sua estada.

Não há método padrão para conseguir um/a potencial advisor. Há colegas que fizeram o primeiro contato por meio do/a orientador/a no Brasil, que já conhecia o/a professor/a americano/a. Outros enviaram uma mensagem direta demonstrando interesse na pesquisa desenvolvida e foram aceitos. Outra opção é aproveitar conferências ou congressos para se aproximar e comentar seu interesse. Em geral você recebe uma resposta rápida e direta sobre a possibilidade de ser recebido/a. E quanto antes começar a estabelecer o contato, melhor, tanto para ter tempo para trabalhar no projeto a ser desenvolvido durante sua estada nos EUA como para ter tempo de contatar uma outra pessoa, caso a primeira não o/a possa receber.

Por fim, se você puder contatar outro/as doutorando/as que trabalham no centro de pesquisa de seu interesse e/ou com seu/sua potencial advisor, contate! É uma excelente estratégia para obter informações mais precisas sobre seu futuro ambiente de trabalho.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Sobre retornar, para um Brasil diferente

O grupo de Fulbrighters que está agora nos Estados Unidos sem dúvida assiste de perto a um momento peculiar da história norte-americana com a eleição de Donald Trump à presidência. Em Nova York, minha cidade de residência, historicamente democrata, o clima era de consternação e revolta após o resultado.

Um dia depois do anúncio da vitória de Trump, eu fui a um workshop sobre ações de equidade racial e justiça social no Queens College, que é um dos campi da City University of New York (CUNY), onde estou alocada como pesquisadora visitante. A ministrante, Dra. Caty L. Royal – mulher, negra e acadêmica – não pôde começar o workshop sem falar sobre a eleição, assunto que estava na boca de todos presentes.

Então ela disse algo assim: “Esta não é a primeira vez que esse país será dirigido por conservadores. Na verdade, isso ocorreu em grande parte da nossa história. Por isso hoje eu não vou chorar. Eu vou levantar a cabeça e continuar pensando, atuando e incomodando”.

Depois, completou, mais ou menos assim: “Vocês acham que porque eu sou doutora tudo mudou? Há pouco tempo eu entrei num prédio e quando eu fui me anunciar na recepção me mandaram para a cozinha. Mas eu não desisto de lutar, eu sigo em frente”. E assim esta brava mulher foi merecidamente aplaudida por jovens das mais diferentes origens étnicas e sociais, grande parte deles com lágrimas se equilibrando nos olhos.

Enquanto Dra. Caty falava, eu refletia sobre os Estados Unidos, mas especialmente pensava no meu próprio país. Eu deixei o Brasil exatamente no dia em que o impeachment da presidente Dilma Roussef se concretizou. E quem achou que seria apenas uma troca de governo não poderia estar mais enganado. Independentemente de posições políticas, muita coisa mudou e ainda vai mudar para todos nós.

Todo Fulbrighter precisa pensar na volta, afinal, a gente vive essa experiência de intercâmbio acadêmico já com data certa para retornar. Mas talvez para o grupo que está aqui neste momento refletir sobre isso seja algo mais recheado de tensões.

Ontem recebemos a notícia de uma profundamente triste tragédia aérea que ceifou a vida de esportistas e jornalistas. Enquanto o país vivenciava esse luto, na calada da noite, nossos políticos estavam trabalhando, porém, não para nós, mas sim contra nós. Manifestações populares tomam as escolas, as universidades e as ruas e são não só reprimidas com violência, mas sobretudo ignoradas em seu valor constitucional.

Meu marido outro dia me relembrou de uma frase: “Libertei mil escravos. Podia ter libertado outros mil se eles soubessem que eram escravos”. A fala é atribuída à abolicionista norte-americana Harriet Tubman. Com essa frase ecoando em minha mente, sigo hoje entristecida, entretanto, atuando, pensando e, sobretudo, esperando incomodar bastante.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Viver intensamente o ambiente universitário

Campus da University of Washington em Seattle, WA
Essa é a primeira vez que sou estudante em tempo integral, desde que entrei para a universidade. Na graduação em Biblioteconomia estudei e trabalhei durante os 4 anos do curso. Entrei para o mestrado meses depois de começar a trabalhar, foram dois anos muito intensos. E o primeiro ano do doutorado foi cursado conciliando meu trabalho como bibliotecária e docente. Entre muitas noites sem dormir, viagens, leituras, idas e vindas, aqui estou.

Ser estudante em tempo integral e "viver" a universidade sempre foi um desejo meu. Nesses três meses como Visiting Student na University of Washington posso dizer que tenho vivido a universidade ainda mais do que imaginei. De palestras a jogos de basquete, tenho aproveitado todas as oportunidades de ser uma estudante de doutorado. Por isso, gostaria de compartilhar algumas dicas para que esa jornada seja também prazerosa.

Estabeleça uma rotina: como estudante de mestrado ou doutorado seu principal objetivo é a pesquisa. Por isso, estabelecer uma rotina é essencial para chegar a esse objetivo. Diariamente, eu vou ao office dos alunos de doutorado ou à biblioteca para desenvolver minhas atividades de pesquisa. Essa é uma boa oportunidade para conhecer outros alunos, conversar e até mesmo estabelecer novas parcerias de pesquisa. Também me envolvi em um grupo de pesquisa coordenado pelo meu orientador e tenho assistido a algumas aulas vomo ouvinte. Tudo isso, ajuda muito a conhecer a dinâmica universitária e se integrar.

Reconheça suas áreas de interesse: um olhar interdisciplinar é fundamental para a produção de conhecimento. Muitos projetos importantes são desenvolvidos entre profissionais de diferentes áreas do conhecimento. Identifique as área potenciais que com as quais sua área de pesquisa pode dialogar.

Mantenha-se atualizado sobre os eventos: uma vez reconhecidas suas áreas de interesse, você pode buscar os eventos promovidos pelos diferentes departamentos. Diariamente, há palestras, paineis, grupos de discussão, seminários, etc acontecendo por todo o campus. A dica é acessar a página dos departamentos e bibliotecas, seguir a conta no twitter, assinar a newsletter, ficar atento aos cartazes na universidade, acompanhar listas de discussão, etc. Sempre que encontro um evento interessante, adiciono à minha agenda, não consigo participar de todos, mas, estabeleço prioridades e quando tenho um tempo livre não perco a oportunidade.

Amplie sua visão: a minha área de pesquisa é especialmente aberta para a interdisciplinaridade, o que aumenta minhas opções. Já participei de eventos sobre as eleições presidenciais no Departamento de Ciências Política e no Departamento de Comunicação, Big data na iSchool e no Centro de Estudos em Demografia e Ecologia. Ainda assim, consegui fazer muitas relações com minha área de atuação e acredite, não foi perda de tempo.

Frequente atividades culturais e esportivas: a vida esportiva nas universidades americanas é intensa, não é difícil se integrar e ser contagiado pelo espírito da torcida. As atrações culturais também fazem parte do ambiente universitário. Os departamentos de música, artes, letras e a bibliotec são os principais lugares para buscar informação sobre os mais diversos espetáculos.

Essas pequenas ações tem me ajudado muito a viver intensamente essa oportunidade intercâmbio acadêmico e cultural. Hoje mesmo participei de um painel sobre o papel das mídias tradicionais e mídias sociais nas eleições presidenciais de 2016. Era um evento voltado, especialmente, para o pessoal da comunicação. Lá estava eu refletindo e, já na primeira palestra, surgiram várias ideias e estabeleci ligações com a Biblioteconomia e Ciência da Informação.

Ao refletir no caminho de volta para casa, percebi que era o momento de escrever este post e compartilhar a sensação cr que mergulhar no ambiente universitário pode nos fazer muito bem e despertar esperança mesmo nos momentos mais difíceis da nossa história.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Dos acasos e das oportunidades



Completei neste início de outubro meu primeiro mês de estágio doutoral em antropologia na City University of New York (CUNY). Muito do que tenho para falar sobre essa universidade vai de encontro daquilo que outros Fulwriters já destacaram aqui. A arquitetura dos espaços é de encher os olhos; os acervos e serviços bibliotecários são formidáveis; vários nomes prestigiosos integram o corpo docente e o calendário de eventos é tão diversificado que exige um esforço hercúleo para ser acompanhado.

A CUNY é uma universidade pública que possui campi espalhados pelos cinco distritos da cidade de Nova York. Quando se usa o metrô por aqui é bastante comum encontrar propagandas da universidade que destacam justamente essa acessibilidade, que não pretende ser apenas territorial, mas também financeira, por meio de free tuitions. Trata-se, assim, de uma instituição afinada às políticas multiculturais defendidas nos Estados Unidos.

Estou tendo a oportunidade de experimentar dois desses espaços universitários aos quais meu professor supervisor aqui é vinculado: o college que fica no distrito do Queens e o Graduate Center, em Manhattan, onde se concentram os cursos de doutorado da CUNY. No primeiro, tenho auxiliado meu supervisor em uma disciplina para alunos de graduação e, no segundo, estou cursando uma disciplina com estudantes de doutorado.

No Queens College é possível sentir imediatamente a diversidade dos alunos que ali estudam. Uma rápida andada pelo campus e você percebe a miscelânea de culturas – são ecos africanos, hispânicos, islâmicos, hebraicos, indianos, chineses, coreanos. No Graduate Center, porém, essa pluralidade diminui e não por acaso.

Ouvindo, conversando e lendo publicações do movimento estudantil, eu me vi numa universidade que vive uma série de tensões para efetivar plenamente sua proposta multicultural. Essas tensões são reveladoras de diferenças entre as universidades públicas e privadas norte-americanas, embora aqui todas sejam, a priori, pagas. E espelham também, como num microcosmos, conflitos pungentes na sociedade estadunidense como um todo.

A revista Advocate, encabeçada pelos alunos dos cursos de doutorado do CUNY, têm sistematicamente polemizado os vultosos salários de alguns administradores e docentes em detrimento da maioria dos professores e funcionários; o congelamento das contratações professorais e a utilização da mão de obra de doutorandos a remunerações não condizentes; a resistência à mais ampla implementação de ações afirmativas raciais e de gênero; a proibição de protestos nos espaços universitários.

Diante de tudo isso, eu posso dizer que, como na universidade, existem coisas de se realmente tirar o chapéu nos Estados Unidos. No dia a dia em Nova York, há algumas que eu aprecio por demais. Por exemplo, os inumeráveis espaços de convivência públicos, gratuitos e bem cuidados, aos quais você chega por meio de um transporte público totalmente integrado e acessível. Também me chama a atenção a atmosfera propícia a debates pulsantes, seja na sala de aula, em eventos culturais ou no cotidiano das ruas, sobre os temas mais diversos. Falar é um direito e ouvir o outro um dever. Mas nem tudo são flores. Nos corredores do metrô nova-iorquino, por exemplo, é entristecedor o grande número de homeless people que ali vivem e experimentam na pele as agruras de um avassalador sistema financeiro neoliberal.

Coincidência ou não, toda essa vivência, tanto na universidade, quanto na cidade, tem contribuído para pensar meu tema de tese, para além dos livros, bases de dados e especialistas que eu planejei consultar por aqui. Minha pesquisa tem por foco uma reflexão antropológica sobre a agência da noção de bullying no contexto brasileiro. Os usos desse conceito no Brasil e nos Estados Unidos pelas pessoas em seu dia a dia, certamente, guardam distinções, mas têm em comum o fato de perpassarem marcadores de diferença semelhantes, que tem a ver com etnia, gênero e poder aquisitivo. Ou seja, os mesmos elementos que permeiam conflitos universitários e sociais que eu expus aqui.

Assim, estar justamente nessa cidade e nessa universidade tem muito daquilo que a antropóloga Mariza Peirano classifica como “artimanhas do acaso”. São daqueles acasos que geram oportunidades para o exercício do pensamento que os cientistas das Humanidades não devem nunca se privar.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

5 favs da Universidade do Hawaii

Fazer doutorado sanduíche (ou qualquer tipo de intercâmbio) no Hawaii já é motivo pra comemorar por si só. Sabe aquela frase (sem querer soar arrogante): "eu moro onde você passa férias"? Pois é, massa mesmo. Foi por isso que, quando recebi a notícia que iria morar em Honolulu por 9 meses, fiquei muito feliz já de cara. Mas nem imaginava o quanto eu iria curtir estar aqui e, principalmente, o quanto eu iria me apaixonar pela UH (Universidade do Hawaii). Bem, um mês de intercâmbio depois, só posso chegar a um veredito: estou amarradona nessa universidade. E, é por isso que resolvi dividir com vocês os meus 5 favs (cinco aspectos favoritos) da UH. Vamos lá?


1- A Rainbow Shuttle Uma das coisas mais cools da UH é o transporte. Honolulu, por si só, já foi premiado por ter o melhor transporte público rodoviário dos Estados Unidos. De fato, posso afirmar que só tive boas experiências até agora pegando busão pela cidade. Mas, uma das coisas legais da UH é que, como opção de transporte alternativo, a universidade oferece um serviço gratuito para alunxs, servidores e comunidade. São pequenos ônibus ou vans (difícil traduzir shuttle) que circulam entre 7 da manhã e 6 da tarde, partindo da universidade e seguindo para bairros próximos. As shuttles comportam 28 pessoas por vez, tem ar-condicionado e fazem diversas paradas para deixar e pegar pessoas no caminho. E o melhor de tudo, não custa nadinha, nadinha. Incrível, né? O transporte é super seguro e confortável e os motoristas são sempre muito gentis e divertidos. Geralmente, eles estão ouvindo música baixinho então a gente acaba tendo até trilha sonora durante a viagem. É para amar ou amar?

2- Verde, Verde, Verde, por todo lugar! O campus de Manoa da UH é lindamente verde! Fico apaixonada com tanto clorofila, rs. Além de limpo e muito bem cuidado, o campus é bastante colorido e repleto de diversas plantas. São mais de 4.000 árvores e 500 espécies diferentes. Além disso, o campus conta com vários parques e jardins, incluindo um Jardim Japonês encantador. Assim fica fácil querer estudar ao ar livre!


3- O espirito do Aloha Todo mundo acha que Aloha quer dizer "olá" e "tchau" em Hawaiiano. Mas a palavra tem um significado muito maior (e mais profundo) do que isso. Aloha é quase um guia espiritual, um estilo de vida, uma forma de pensar as relações sociais e com a natureza. Aloha está relacionado à amor, paz, solidariedade. Por causa disso, várias ações que preservam as relações entre pessoas e a relação do ser humano com a natureza são normalmente praticadas dia a dia na cultura Hawaiiana. E, claro, a UH não podia ficar de fora. O espírito do Aloha está espalhado pela universidade todinha. Um dos exemplos que eu mais gosto fica no meio do campus: a ideia de evitar o desperdício. Sempre que você estiver comendo alguma coisa e não quiser mais (porque está cheix, porque não gostou, etc), você não precisa jogar a comida que sobrou fora. É só colocar no frigobar free! Uma geladeirinha que fica no campus e serve pra isso mesmo: deixar comida que você não quer mais. Daí, se alguém estiver com fome, passa ali, pega a sua comida, e come. Legal né? A mesma lógica serve para lojinha free onde as pessoas deixam roupas e outros pertences que não querem mais. Incrível, não é mesmo?

4- A biblioteca Sinclair A UH conta com duas bibliotecas principais que são lindas e encantadoras: a Hamilton Library e a Sinclair Library. Ambas tem ótima estrutura, espaço para estudo, acervo invejável, internet, enfim, inúmeras vantagens que toda biblioteca deveria oferecer. Mas, das duas, a minha preferida é a Sinclair. Por quê? Dá uma olhada no espaço de estudo que ela oferece. Aberto! Sem ar condicionado! Maravilha, né? Claro que além desse espaço, a biblioteca tem outros também reservados para estudo com ar condicionado, mais fechados e tals. Mas esse ai é aberto, pertinho da natureza e, dá pra trazer comida e bebida. Advinha onde eu passo maior parte do meu tempo quando estou estudando na UH?


5- Os eventos Como qualquer outra universidade americana, a UH está sempre promovendo eventos para alunxs e comunidade. E eu simplesmente adoro esses eventos. Muitos deles são promovidos pelos próprios alunxs como forma de incentivar a integração. O último que fui teve comida local sendo servida e música na parte central do Campus. Agora, estou interessada nesse ai de poesia. Depois conto como foi!


Bem, ai estão alguns dos motivos por eu gostar tanto dessa universidade que conheço à tão pouco tempo. Espero que vocês tenham tido um gostinho da UH com esse post. Recomendo a visita à quem tiver a chance! Passar um tempinho aqui vale muito a pena!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Alguns comentários sobre um primeiro mês nos Estados Unidos

O tempo passa rápido mesmo, e já que o edital para o Doutorado Sanduíche ainda está aberto para os candidatos 2017-18, achei interessante dividir alguns pontos importantes a serem levados em consideração por eventuais candidatos.

1 - O campus vai ser bonito! Sim, há grande probabilidade de o teu campus ser bonito. E o teu prédio também. O meu:

E me deram uma sala boa pra estudar e trabalhar em paz 
2 - Se tu acabares em uma cidade pequena/média como eu, que estou em Athens, Georgia, vai ter esses capitols tradicionais, com um jardinzinho florido e tal.

Athens City Hall
 3 - Mas antes de ir direto pra tua cidade, provavelmente a Fulbright vai te convidar para um Gateway, que é uma sessão de orientação em uma outra cidade, em outro estado longínquo. Aceita e vai, porque vai valer a pena: vai ter gente de todo o mundo, gente divertida e os lugares costumam ser bonitos e, de alguma forma, vibrantes (geralmente há esforço para que seja um lugar interessante mesmo!). É incrível! Experiência de vida mesmo!

E também já vai te ajudar a falar dos assuntos preferidos dos americanos: política e insetos. Estamos em ano de eleição (uma campanha super complicada), e quem aportar por aqui em 2017 vai pegar o resultado, então te prepara para ouvir e falar bastante sobre vários tópicos correntes na política dos EUA. Os insetos? Me surpreende que é o small talk preferido dos americanos, aparentemente. É legal pra quem chegar aqui que saiba tudo sobre a fauna de bichos de sua região no Brasil, e que saiba que vai chegar em outra região dos EUA e vai ter bugs gigantes, ou não vai ter bugs, ou enfim. É isso, insetos são importantes.

O meu Gateway foi em Reno, Nevada.
Na foto: os milhões de Fulbrighters e o Lake Tahoe

4 - É isso, agora tu chegou na tua cidade. Hora de se instalar.

"Nos EUA é tudo barato", "compra lá fora!", "vai ter uma pessoa na rua fantasiada de maçã te dando celular de graça", "o motorista de ônibus vai te pagar pra tu ir de LA a NY de ônibus, e vai te servir panquecas com champagne na viagem". Com certeza tu já ouviu tudo isso, e bom, é mentira. O custo de serviços como internet, transporte, luz, água são parecidos com os do Brasil.

Talvez as mercadorias sejam realmente um pouco mais baratas do que na América do Sul, mas não cai nessas de que tudo é baratíssimo por aqui. Convém pesquisar antes e comparar preços para coisas que realmente valem a pena (como computadores, instrumentos/equipamentos musicais, etc.).

Enfim, daí tu precisa te arranjar na vida e ir atrás dos compráveis. E o que segue é este grande patrimônio cultural dos EUA (consideraria ser tombado pela UNESCO, não sei como ainda não fizeram isso): o estacionamentão.

American beauty

5 - E por fim, algo muito importante. Sou um pedestre, e o dicionário já nos mostra muito bem o que os americanos pensam de nós.

Sim, é a número 4
Por isso, caso tu não tenha carro, não queira ter carro (olha a propaganda de carro ali na entrada do pedestrian no dicionário, hein?), olha bem onde morar! Acesso a frutas e verduras nos EUA é bem mais restrito em geral do que no Brasil. Os americanos inclusive tendem a ser apaixonados por suas redes de supermercado favoritas. Então atenção com isso! E também com o transporte público, que em muitas cidades é praticamente inexistente.


É isso, que venham os outros 9 meses! 

Por: Lauro Iglesias Quadrado

sábado, 17 de setembro de 2016

Nova York: um amor à primeira vista


Sinceramente, é muito difícil não se apaixonar por Nova York! Estou por aqui há um mês e todos os dias tenho uma surpresa agradável pela frente: a estrutura incrível da universidade, cada bairro da cidade mais lindo que o outro; skylines maravilhosas; eventos, festivais e apresentações gratuitas nos parques e espaços públicos; pessoas respeitosas, autênticas e descoladas. Em uma palavra: modernidade! A minha impressão por aqui é essa mesma, de que os Estados Unidos são, de fato, um país moderno, onde o indivíduo é respeitado em todas as suas formas, onde a liberdade individual é um princípio fundamental e consolidado; e onde a grande maioria das coisas existe por pura utilidade prática! As coisas funcionam! Tudo é rápido e prático, acessível, útil. 



Para começar, New York City é uma das únicas cidades no mundo onde o metrô funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana. O território é constituído por ilhas, mas é completamente interligado pelo transporte público. Ok, Nova York não é necessariamente representativa dos Estados Unidos, por isso, as minhas impressões ficam restritas à big apple, aprecie com moderações!

Além do transporte público, fiquei impressionada com a estrutura e a qualidade da universidade que está me recebendo como Visiting Academic: a New York University. Uma das bibliotecas da NYU tem nada menos do que 12 andares, mais de 12.000 exemplares, além de coleções impressionantes de periódicos acadêmicos, bases de dados, documentos governamentais, arquivos históricos, mídias, livros online e softwares. Alguns andares dessa que é uma das maiores bibliotecas de pesquisa do país podem ser acessados pelos alunos durante 24 horas ao dia. Ademais, a instituição oferece softwares gratuitos (como o ArcGIS, Stata, SPSS, etc), cursos sobre como utilizar essas e outras ferramentas, tutoriais, guias e profissionais prontos para auxiliar em pesquisas e bases de dados específicas: amazing! O prédio dispõe de várias salas –individuais e coletivas – de estudo, computadores e laptops disponíveis para empréstimo e equipamento de impressão, digitalização e mídia. Até mesmo um estúdio de música tem ali dentro! Incrível, né? Também achei muito interessante o fato de a biblioteca da NYU participar de um Consórcio com outras bibliotecas, dentre elas a New School, a Universidade de Columbia e a Cooper Union. Isso significa que os alunos da NYU podem acessar a biblioteca e o material dessas outras universidades e vice-versa.


Nessas horas fica evidente como é difícil um acadêmico brasileiro competir com um pesquisador norte-americano. Tudo bem que o modelo de educação é bastante diferente: nos Estados Unidos tudo se paga e, para ter acesso a uma educação superior do nível da NYU se paga muito caro! Mas, sinceramente, o preço vale. Além da estrutura de pesquisa gigantesca, de todas as ferramentas disponíveis ao estudante, os professores costumam transitar entre o mercado de trabalho e a academia – o que lhes garante uma experiência prática e uma contribuição para além dos muros da universidade invejáveis. Claro, de uma forma geral, a pesquisa e o conhecimento são extremamente reconhecidos, valorizados e recompensados. A universidade não se resume às aulas: tem sempre alguma coisa interessante acontecendo por ai. Que seja um debate sobre as eleições presidenciais, uma exposição de arte ou a exibição de um documentário, a vida acadêmica é dinâmica e interdisciplinar. As oportunidades são simplesmente incríveis! A instituição oferece inúmeros clubes temáticos, estrutura esportiva, salas de espetáculos, cultura, oportunidades de voluntariado, grupos de conversação em língua estrangeira, plataforma de carreiras e ofertas de trabalho, palestras, etc, etc, etc!



A segurança tem sido outro ponto forte de Nova York, na minha opinião. A maioria dos bairros é bastante tranquila à noite, o comércio funciona até tarde, é raro não encontrar outras pessoas na rua e pode-se pegar o metrô ou caminhar nas principais avenidas sem nenhum problema. De forma geral, sinto-me muito segura como uma mulher em uma cidade grande. Não senti medo em nenhum momento até agora, não passei por situações de constrangimento ou desconforto. As mulheres podem sair com a roupa que quiserem e não é por isso que vão infernizá-las por ai. Outra história... 

A diversidade é outro aspecto que me chamou muita atenção aqui em NYC. Tem gente de todos os cantos do mundo, das mais variadas culturas, religiões, etnias, origens. É realmente um melting pot! Ainda que existam bairros onde uma determinada comunidade é predominante, é tudo muito misturado. Em uma sala de aula pode-se facilmente ter 80% dos alunos vindos de países que não os Estados Unidos. A minha impressão é de que a diferença é algo valorizado e não algo que deva ser anulado ou escondido. 

Contudo, apesar de ser a cidade mais populosa dos Estados Unidos, com número de habitantes superior a 8 milhões, uma área de mais de 1.000 km² e um dos maiores centros internacionais, financeiros, culturais e políticos do mundo, Nova York sabe nos fazer sentir em casa como nenhuma outra cidade que eu já vivi! Primeiro, pela própria diversidade que é formadora desse lugar. Não importa de onde você veio, ou para onde você vai. Não importa o seu sotaque quando você fala inglês. Nova York vai recebê-lo como poucas cidades no mundo, vai recebê-lo como uma peça única e fazê-lo se sentir parte da engrenagem que mobiliza esse lugar. Segundo, porque mesmo que a cidade seja bem grande e movimentada, cada neighborhood tem suas características muito próprias, sua comunidade, seu comércio, seu estilo e seu cotidiano mais restrito. Isso faz com que o bairro seja equivalente a uma pequena cidade, na verdade, com toda a tranquilidade e a mobilidade de uma localidade do interior. Terceiro, porque Nova York é feita de indivíduos únicos, autênticos e livres, que se permitem viver das mais variadas formas, sem serem julgados, sem julgarem os outros. Indivíduos que se descobrem no meio da multidão, que se permitem viver da maneira como bem entenderem, mudar, permanecer, sentir, se expressar, criar, inovar, curtir... enfim, viver... Ainda que tenham total consciência da coletividade, da vida em comunidade e do respeito ao bem público. Essas e outras coisas fazem de Nova York uma das cidades mais impressionantes e queridas do mundo! É realmente muito difícil não amar esse lugar...

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Hora de começar a suar a camisa: aberta seleção para Sanduíche nos EUA



Até o dia 17 de outubro de 2016 estão abertas as inscrições do processo seletivo para Doutorado Sanduíche nos Estados Unidos da Comissão Fulbright Brasil. Foi a partir da candidatura a esse edital no ano passado que a jornada dos 25 Fulwriters desse blog teve início. A seleção da Fulbright guarda semelhanças com outros processos para obtenção de bolsas para doutorado sanduíche, entretanto, possui especificidades que são o que eu gostaria de destacar nesse post para quem está pensando em se inscrever.

Uma primeira particularidade está no público-alvo e no país de destino: trata-se de uma iniciativa voltada exclusivamente a doutorandos em ciências sociais, humanidades, letras, literatura e artes para estudos em universidades norte-americanas.

Outra singularidade aparece na interface com a língua inglesa, intensa desde o começo da candidatura. Todos os interessados em concorrer precisam alcançar um score mínimo no Toefl Test e uma boa dica para prestar esse exame sem custos é procurar o programa Idioma Sem Fronteiras nas universidades públicas. O edital também demanda um projeto de pesquisa breve, mas que deve ser apresentado todo em inglês.

Depois de reunir os documentos descritos pelo edital, estes devem ser submetidos em uma plataforma on-line da Fulbright. Mas quem dera fosse apenas anexar os arquivos e pronto! Não, não. É um formulário detalhado no qual, além de inserir seus documentos, você terá de preencher uma série de outros campos acerca da sua biografia acadêmica, com respostas de algumas linhas até pequenas redações. Tudo isso em inglês.

Minha sugestão é não tentar concluir o formulário logo de cara: parece-me que o melhor caminho é fazer uma leitura atenta dele, elaborar todas as respostas off-line e, depois de revisá-las, fazer a submissão final.

Eu classifico esse formulário como um ‘espanta preguiçoso’, porque só termina quem for perseverante. Por isso, enquanto eu estava me inscrevendo, pensava: se essa seleção é uma loteria, esse formulário certamente é um meio de enxugar a concorrência. E, desse modo, recuperava o fôlego para continuar adiante.

Então, aos interessados, não deixem suas inscrições para os últimos dias, mãos à obra!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Longe de casa (em uma nova casa)!

Ravenna - Seattle, WA
Ser um Fulbrighter é abrir mão, por um período de tempo, do contato físico com a família e amigos. Sou muito apegada à minha família e amigos. Confesso que antes dessa aventura começar eu não sabia exatamente como seria ficar longe de todos eles de uma só vez. Ainda estou vivenciando essa sensação. Mas, hoje refleti um pouco sobre isso.

Tenho superado de forma bem mais tranquila do que imaginava, acho que hoje foi o dia em que a ficha caiu. Não estou passando apenas alguns dias em Seattle, WA e logo voltarei para casa. Não! Serão 10 meses longe de casa. Bem, relativamente longe de casa, pois, aqui também estabeleci um lar e o ciclo está começando novamente: nova casa, novos amigos, vizinhaos, universidade, tudo novo. Sentia muito receio de que esse novo se tornasse velho muito rápido e logo batesse aquela saudade do Brasil. A saudade já veio e virá muitas vezes, mas, acho que quando esse novo se tornar velho terei a mesma sensação de deixar algo para traz, novamente, porque estará na hora de voltar.

Por isso, fiquei pensando no quão privilegiados somos por termos tecnologias de informação e comunicação tão avançadas. Nós, os 25 Fulbrighters espalhados pelo Brasil e agora pelos Estados Unidos, comunicamo-nos diariamente para esclarecer dúvidas, contar histórias, compartilhar experiências, fotos, rir, etc. Da mesma forma, tenho me comunicado todos os dias com minha família e amigos (skype, whats app, facebook, facetime, etc) e, ainda que pela internet, a sensação é de que estamos muito perto. Como é que as pessoas viviam longe de casa apenas com telefone e pagando tarifas altíssimas (rsrsrs)?

Tudo isso mostra que precisamos aproveitar cada segundo dessa experiência única que nos foi proporcionada, mais do que isso, que nos foi confiada. Buscamos conhecimento e experiência cultural para compartilhar com os nossos quando voltarmos para o lugar que chamamos de casa. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Fight the Jet Lag

Fight the jet lag. Ou, em bom português, lutar contra os efeitos do fuso horário. Um dos primeiros desafios de qualquer brasileiro que decide viajar para fora, especialmente àqueles que seguem beeeem pro oeste ou beeeeem pro leste do meridiano. Esse é o meu caso. Há dois dias atrás, desembarquei na cidade de Honolulu, no estado do Hawaii: o destino de férias de pessoas do mundo inteiro que, já estaria sendo para mim um paraíso, não fosse sua localização há 12935 Km de Florianópolis (onde moro no Brasil). No relógio, essa distância toda se traduz em 7 horas de atraso. Isso mesmo. A noite brasileira é a minha tarde. Quando é manhã no Brasil, é madrugada por aqui. Uma hora da tarde em Floripa são 6 da manhã para mim. E por ai vai. Resultado: primeiro dia no Hawaii, não tive forças para lutar contra os efeitos do fuso horário (após 26 horas em trânsito) e dormi às 8 da noite. Acordei, faceira que só, às 3 da manhã daqui (10 da manhã em Floripa). Ouvi falar que aos poucos o corpo se acostuma e a rotina estrangeira toma conta do sono. Espero que logo. Enquanto isso, aproveito o silêncio da casa e escrevo posts e emails numa manhã quente de verão em Honolulu. Escrito por Priscila Fabiane Farias - Fulbrighter 2016 em Honolulu Hawaii

domingo, 28 de agosto de 2016

Como tudo começou...

Pre-Departure Orientation

Um novo edital foi aberto no segundo semestre de 2015 do Programa CAPES/Fulbright - 2016 para estudantes, professores e pesquisadores, com o intuito de conceder bolsas de estudo do Programa de Estágio de Doutorando nas Ciências Humanas, Ciências Sociais, Letras e Artes nos Estados Unidos.

Doutorandos de diferentes partes do Brasil se inscreveram para concorrer a uma das bolsas. Entre eles, fomos os selecionados e, desde a divulgação do resultado, nossa vida gira em torno de organizar tudo para realizarmos o sonho de todo pesquisador: desenvolver parte da sua pesquisa em uma universidade estrangeira com um pesquisador (supervisor) que admiramos.

Espalhados da costa leste à costa oeste, conheceremos novos lugares, ampliaremos nossa rede de relações, teremos experiências que não imaginávamos ter, realizaremos sonhos. Mais do que isso, representaremos nosso país e buscaremos conhecimentos que potencialização nossas pesquisas e nossa formação como pesquisadores e pessoas.

Com essa expectativa nos reunimos para registrar cada momento neste blog e compartilhar com aqueles que assim como nós se permitem sonhar e correm atrás de seus sonhos.

Fulwriters, foi dada a largada!